Em que você pensa quando o assunto é Cervejas Intensas?

 

É normal nos dias de hoje uma relação praticamente automática entre cervejas intensas e altas quantidades de lúpulo, porém nem só de lúpulos e intensidade vivem tanto a cerveja quanto o consumidor, é claro.

Um exemplo de cerveja intensa e não lupulada é a Strong Scotch Ale, que possui seu foco nos maltes, variando entre 6,5% ABV e 10% ABV.

Existem outros estilos intensos e mais maltados, bem como Doppelbock e Russian Imperial Stout.

O fato é que para degustar uma cerveja é preciso antes saber o que esperar dessa cerveja, e em primeiro lugar, devemos considerar seu estilo e sua proposta.

Por isso vamos agora citar uma breve definição de Strong Scotch Ale, segundo o guia de estilos BJCP. Cabe dizer que este é apenas um exemplo para ilustrar o que estamos afirmando até então.

 

“Aroma maltoso, com caramelo frequentemente aparente. Aromas secundários como trufa, terroso e/ou fumaça também podem estar presentes, adicionando complexidade. (…) sabor ricamente maltoso, com caramelização por fervura frequentemente aparente (particularmente nas versões mais fortes). Notas de malte torrado ou de fumaça podem estar presentes, bem como algum caráter de nozes – todos os quais podem perdurar até o final. Sabor e amargor de lúpulo de baixo a médio baixo, portanto o sabor do malte deve dominar (…).”

 

Antes de observar tais aspectos, cabe destacar a importância de consultar frequentemente o BJCP, que existe em versão de aplicativo para ser baixado no celular.

A Strong Scotch Ale é intensa, porém por sua alta carga de maltes, que conferem ao estilo o aroma maltoso, caramelo, caráter de nozes e acima de tudo o alto teor alcoólico, uma vez que o malte é um cereal que é convertido em açúcar, para que na fermentação o açúcar possa ser convertido em álcool e CO2.

Portanto, quanto mais maltes tiver uma cerveja, maior será seu teor alcoólico, e dependendo da variedade dos maltes utilizados, também será maior sua complexidade de aromas e sabores. Por isso nem sempre uma IPA é intensa, mas uma cerveja com bastante malte sim, é intensa.

 

Intensa ou Não Intensa?

 

Óbvio que uma cerveja não deve ser definida apenas como “intensa” ou “não intensa”, mas a nossa intenção aqui é justamente rebater um conceito de intensidade, que por força do hábito, acaba sendo relacionado apenas aos lúpulos.

Para entender melhor as características de uma cerveja, além de ler guia de estilos, devemos também compreender sobre funções básicas dos insumos utilizados.

  • Malte, como já dito acima, se converte em açúcar, para depois, na fermentação, gerar álcool e CO2, porém não é apenas isso: ele também adiciona cor, aromas, corpo e sabor à cerveja.
  • O lúpulo confere amargor e aroma, podendo interferir na cor da cerveja, porém não é determinante.
  • A levedura possui a função de trabalhar durante a fermentação consumindo o açúcar existente, convertendo em álcool e CO2, e confere também aromas à cerveja, haja vista as cervejas da escola belga, por exemplo, que geralmente apresentam notas condimentadas e frutadas no aroma, e isso provém das leveduras.

 

Sobre o malte cabe destacar que também pode adicionar amargor à cerveja, porém isso se dá no caso do malte tostado. Sendo assim, o amargor pode vir tanto dos lúpulos quanto dos maltes, sendo que no último caso não é uma regra, e também não interfere no IBU (International Bitterness Unit), que é uma escala para mensurar amargor proveniente dos lúpulos. Um exemplo de cerveja amarga, porém com baixa quantidade de lúpulos é a Russian Imperial Stout.

Dito tudo isso, podemos concluir que uma cerveja muito lupulada não é necessariamente mais complexa do que uma cerveja com muito malte, que necessariamente possui maior teor alcoólico e maior corpo.

Não pretendemos aqui abrir uma guerra contra IPAs, mesmo porque são cervejas muito boas, que apresentam complexos aromas, além de agradar aos fãs de amargor, classe da qual fazemos parte. O que queremos, no entanto, é desmontar uma concepção equivocada de que apenas cervejas complexas e muito lupuladas podem ser consideradas boas. Acima de tudo precisamos buscar boas cervejas, sejam elas complexas ou não. A qualidade está na proposta daquilo que se faz e na competência da cervejaria, e não na intensidade do produto.

Vale lembrar que é muito mais difícil para o cervejeiro fazer uma Pilsen tragável do que uma IPA boa, por exemplo. E isso acontece porque atingir a perfeição na simplicidade requer sensibilidade e técnica muito mais apuradas; ao passo que a intensidade pode ocultar determinadas características não muito gratas numa cerveja.

Sendo assim não importa se a cerveja possui muito lúpulo ou muito malte, mas sim se a proposta dela foi executada com perfeição.

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Autor: Felipe Vasconcelos – Sommelier de Cervejas