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Saiba como funciona a profissão de mestre cervejeiro

Na década de 90, enquanto cursava o último período da faculdade de engenharia química, Daniela Dezordi nunca tinha pensado em trabalhar com cerveja. “Sempre fui uma grande admiradora da bebida, mas não conhecia o campo e nem cogitava seguir para essa área”, conta. Naquela época, ela soube de um programa de trainee para mestres cervejeiros, oferecido por uma marca brasileira e resolveu se inscrever. Foi aprovada e teve de encarar dois desafios profissionais ao mesmo tempo: ser uma mulher em um emprego normalmente voltado aos homens, e se dedicar a aprender sobre os processos detalhados e específicos de produção da cerveja.

“Para isso, passei por um treinamento em diversas fábricas aqui no Brasil e conheci os trabalhos das maltarias e do laboratório central da empresa. Depois, fui para a Bélgica fazer meu mestrado em cervejaria voltei ao país para trabalhar na unidade da empresa no interior paulista. Foi ali que conheci todas as etapas de produção”, diz. Em seguida, Daniela trabalhou em outras filiais pelo interior do estado e, atualmente, ela fica no Centro de Engenharia da companhia. “Hoje eu sou uma das dez mulheres que atuam como mestras cervejeiras na empresa”. 

Rotina de um mestre cervejeiro

Para a maioria das pessoas, a profissão de Daniela é encarada como um emprego que tem como única tarefa o ato de beber cerveja. Na verdade, a função de mestre cervejeiro envolve diversas etapas. “O mestre cervejeiro é responsável pelo controle do processo e por garantir que a cerveja esteja dentro dos padrões requeridos para o estilo desejado. Por isso, ele pode trabalhar em diversos setores da empresa, como a área de qualidade e de desenvolvimento de novos produtos”, diz.

Outro mito que envolve a profissão é o de que os profissionais cervejeiros só fazem a degustação da cerveja pronta. “Eu começo com a água, que é uma matéria-prima essencial para a bebida, e depois passo para os testes do ar comprimido e do fermento”, aponta. “Em seguida, provo todas as etapas de produção da cerveja, incluindo a fermentação e a maturação. Só depois de tudo isso eu degusto a cerveja acabada, revela Daniela. E se engana quem pensa que ela bebe o dia todo. “Esse tipo de degustação acontece, geralmente, na parte da manhã. E nós bebemos o equivalente a uma latinha por dia”, comenta.

Degustar a cerveja é importante para saber se o produto final está de acordo com a proposta inicial. “A degustação avalia aromas, cor, corpo e sabor do estilo de cerveja que está sendo fabricado”, comenta. Essa habilidade de perceber os aromas de uma cerveja também vem por meio de ensino – e muita prática. “Eu participei de diversos treinamentos organolépticos. Isso é importante para a capacitação do degustador”, diz.

Como se especializar

O Brasil ainda não possui um curso de ensino superior voltado à cerveja, como acontece na Alemanha, Bélgica, Espanha e Estados Unidos. Mas, quem ficou com vontade de seguir a profissão por aqui pode escolher uma formação em engenharia, seja essa voltada aos alimentos, bioquímica, produção ou processos. “Quem estudou biologia e agronomia também pode se candidatar a esse tipo de vaga”, lembra Daniela.

“Seja qual for a opção de estudo, a minha dica para o recém-formado é procurar um programa de trainee de uma grande empresa. Isso porque a maioria delas permite uma boa carreira e aposta no funcionário, sempre promovendo maneiras de potencializar a carreira dele”, sugere. Por fim, Daniela lembra que, assim como acontece com outras carreiras, um bom mestre cervejeiro precisa ser apaixonado pelo objeto da profissão. “Quem trabalha com cerveja não pode só gostar da bebida. Tem que amar, ter paixão mesmo”, completa.

Fonte: Sociedade da Cerveja